Marcação peixe de bico min

Aproveitar o embarque de pescadores e a localização de peixes-de-bico para apoiar estudos científicos destinados a proteger essas espécies oceânicas. Esse é o objetivo do torneio Marque e Solte de Pesca Oceânica, promovido pelo Instituto de Pesca, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e que tem início em 3 de novembro de 2018. A iniciativa é coordenada pelo pesquisador do IP Alberto Ferreira de Amorim e conta com o apoio da The Billfish Foundation (TBF), entidade de pesquisa norte-americana dedicada à conservação mundial dessas espécies.

No Brasil, o Yacht Club de Ilhabela (YCI), com sede no litoral norte do Estado paulista, é a entidade pioneira, em parceria com a TBF, na chamada ‘marcação’ de peixes, constituída pela inserção no peixe de um equipamento de marcação eletrônica de informações chamado de tag. Esse equipamento corresponde basicamente a uma ficha de identificação com dados de dimensão, peso estimado e local de marcação da espécie, que permite aos pesquisadores, caso o peixe marcado  seja novamente encontrado  em outro ponto do oceano, comparar os dados da marcação com a nova avistagem.

As tags, que são programadas para se soltarem automaticamente do peixe num período pré-determinado, boiam até a superfície da água e transmitem os dados armazenados ao satélite ARGOS (Advanced Reasearch and Global Observation Satelite), empresa sediada na França.

 

Levantamento de dados

No Brasil, as marcações tradicionais em marlins-azuis tiveram início no Yacht Club na temporada de 1992/1993. As primeiras marcações eletrônicas foram realizadas em Canavieiras (BA) em 2006.

De acordo com o pesquisador Alberto Amorim, este ano as tags serão colocadas na temporada de pesca do Yacht Club, que se inicia no dia 3 de novembro de 2018. As marcas permanecerão no peixe durante 12 meses armazenando dados de profundidade, salinidade, temperatura da água, deslocamento e outros, enviados ao satélite. Cada marca tem um registro da ‘Argos’. Ao receber as informações, elas são transmitidas ao endereço eletrônico do pesquisador.

Após um ano, a marca desprende-se automaticamente do marlim-azul ou agulhão-negro. Quando o peixe nada à superfície, o que estiver armazenado já é enviado.

Amorim conta que, caso o peixe mergulhe a mais de 600 metros, a marca desprende automaticamente para que não se danifique. Também se o peixe morrer e a marca passar mais de 48 horas sem movimentação dele, a marca se desprende automaticamente.

Daí então ser possível identificar o destino do peixe após a sua permanência no litoral do Estado de São Paulo.

O projeto conta também com a cooperação de um especialista norte-americano na área, o professor David Krestetter, da Nova Southeastern University (NSU), e do comandante da embarcação ‘South Atlantic’, Eduardo Wanick, mestre em Oceanografia pela NSU.

O XXIX Torneio Marque e Solte de Pesca Oceânica do YCI é promovido entre novembro e dezembro de 2018. Com a colaboração de pescadores, são colocadas cinco tags eletrônicas programadas para se desprenderem e transmitirem informações para o satélite após doze meses da liberação do peixe durante o torneio. 

“O marlim-azul se aproxima do litoral paulista nessa época. Quatro alunos com boa experiência de mar e de marcação irão participar do torneio, um em cada lancha, para acompanhar a captura e escolher um exemplar em condições saudáveis para ser marcado e liberado imediatamente ao mar. A captura é através de isca-artificial com o barco em movimento. É preciso todo o cuidado para manter a condição saudável do exemplar. Trata-se de uma operação extremamente delicada”, complementa o pesquisador Alberto Amorim.

 

Por Antonio Carlos Simões

 

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