IMIGRAÇÃO JAPONESA

 

Centro de Comunicação e Transferência do Conhecimento do Instituto de Pesca, novembro 2008

 

 

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No dia 8 de novembro de 2008, o Museu de Pesca de Santos se transformou em palco de homenagens à colônia japonesa e à influência de sua cultura no desenvolvimento da cadeia produtiva do pescado no estado de São Paulo. É que nesse ano comemorou-se os 100 anos da imigração japonesa.

A chegada dos imigrantes

No dia 18 de junho de 1908, os primeiros imigrantes japoneses desembarcaram na cidade de Santos (SP). Eles vieram para lavrar a terra em fazendas de café do interior paulista. Porém, ainda no decorrer de 1908, muitos deles retornaram a Santos, desistindo da Fazenda Canaã e da ilusão difundida pela propaganda da “terra prometida”.

Foram os integrantes de aproximadamente oito famílias procedentes da ilha de Okinawa, que, atraídos pela agradável maresia que exalava das praias de Santos que lembrava a terra natal à beira-mar, se instalaram nesta cidade e iniciaram a história da Imigração Japonesa, que completa um centenário.

Recém-chegados, os japoneses habitaram moradias improvisadas erguidas na periferia de Santos, humildes barracos com telhado de zinco, onde iniciaram o cultivo de hortaliças, vendidas nas ruas pelas mulheres, em cestas equilibradas na cabeça. Os imigrantes precisavam trabalhar para sobreviver e enviar dinheiro ao Japão, para saldar dívidas contraídas para a viagem ao Brasil e também para ajudar a família. Outros grupos se juntaram a esses imigrantes na cidade de Santos, que contava na época com cerca de 60 mil habitantes; com o tempo, eles foram se envolvendo em outras atividades, além da agricultura.

O início da atividade pesqueira

Em 1911, surgiu em São Vicente a primeira vila de pescadores japoneses, constituída de barracos com telhado de zinco, onde os moradores viviam e estocavam diariamente o produto da pesca, praticada com vara ou rede. Em Santos, Shima Tani Shi e Shimizu Yasujino Kun, provenientes de Kanagawa, foram os pioneiros da pesca brasileira. Nas horas de folga, esses pescadores levavam os patrícios em passeios pelo cais da cidade.

Os imigrantes contribuíram para o desenvolvimento da atividade, ao incorporar técnicas pesqueiras e conhecimento de navegação que resultaram no aumento da produção. Assim, construíam-se embarcações com base em projetos trazidos do Japão, que iam aumentando de porte para acomodar melhor o pescado. Também as redes seguiam modelos japoneses, inéditos no Brasil.

Inicialmente, a pesca processava-se com pesadas redes de algodão, de fácil destruição pela ação da água salgada e cujo formato permitia o arrasto apenas na beira da praia. Para melhorar a resistência das redes, os japoneses as banhavam, após a confecção, na água onde ferviam cascas de plantas de mangue.

Outra inovação foi a montagem de “varais” para pendurar as redes, permitindo a visualização do formato e do caimento, como se estivesse no mar; assim, eles percebiam a necessidade de eventuais reparos e a adequação do formato da malha. Além da inovação no formato da malha das redes, os japoneses introduziram as bóias de vidro para a flutuação e as portas de ferro para abrir a rede, desenvolvimento tecnológico que propiciou o aumento da produtividade.

Evolução do setor

Inicialmente, o pescador imigrante japonês trabalhava sozinho, vendendo ele próprio o pescado, ou então era empregado, como ‘camarada’, em barcos pesqueiros brasileiros, recebendo diárias ou salários mensais. Posteriormente, ele passou a arrendar barcos e redes e, a partir de 1923, naturalizou-se brasileiro para poder obter licença oficial para pescar. Com o auxílio de contribuições individuais, adquiriu redes de arrasto para utilização comunitária. Em 1932, fundou-se a Cooperativa Pesqueira de Santos, integrada por 63 cooperados.

Os japoneses que conseguiram se capitalizar suficientemente tornaram-se armadores de pesca, adquirindo embarcações de maior porte, dotadas de motor diesel e alguns deles, inclusive, distribuíam o pescado utilizando seus próprios caminhões frigoríficos. Entretanto, durante a Segunda Guerra Mundial, os japoneses foram obrigados a abandonar o litoral, por ser este considerado zona estratégica e de segurança nacional.

Terminada a Guerra, alguns imigrantes retornaram a seu país e outros, em 19 de maio de 1953, associados a brasileiros, fundaram a Cooperativa de Pesca Nipo-brasileira e, em 23 de julho de 1957, a Cooperativa de Pesca Atlântica de Santos, evidenciando-se nesse período a pujança do setor.

Os japoneses também se destacaram na pesca oceânica brasileira em razão da vinda da empresa Taiyo ao Brasil para atuar na captura de baleia e atum. Sob a influência dos japoneses, uma espécie não conhecida até então foi denominada “Me-Kajike”, que, por corruptela, virou “Meka” e hoje “Meca”, que originou o prato oficial da cidade de Santos.

Atualmente há grandes empresários de origem japonesa na atividade pesqueira, incluindo, por exemplo, armadores de pesca e proprietários de instalações para resfriamento e processamento de pescado e de frotas de caminhões frigoríficos.

 




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