B. Inst. Pesca, São Paulo, 43(2): 185 - 193, 2017
Doi: 10.20950/1678-2305.2017v43n2p185
IMPORTÂNCIA DO ROTÍFERO COMO ALIMENTO NO DESENVOLVIMENTO
LARVAL DO CARANGUEJO-UÇÁ *
Rodrigo Matos de SOUZA
1
, Renato Rodrigues NETO
2
, Luiz Fernando LOUREIRO FERNANDES
2
Artigo Cientíco: Recebido em 09/06/2016; Aprovado em 05/05/2017
1
Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Oceanograa e Ecologia, Base Oceanográca, Laboratório
de Cultivo de Organismos Marinhos, Aracruz-ES, 29199-970, Brasil. E-mail: rodrigoms_uca@ymail.com (autor
correspondente)
2
Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Oceanograa e Ecologia, Vitória-ES, 29075-910, Brasil.
*Apoio nanceiro: FACITEC/CDV/PMV e CAPES pela bolsa de pós-graduação ao primeiro autor.
ROTIFER IMPORTANCE AS FOOD ON THE LARVAL REARING OF THE MUD CRAB
ABSTRACT
The aim of this study was to assess the effects of the exclusion of rotifer or its replacement
by commercial feed in the survival, larval development and growth during the larval
rearing of mud crab (Ucides cordatus). Larvae were individually reared and subjected to
6 treatments (T1 to T5 and TR) with 50 replicates, from zoea (Z1 to Z5) to the megalopa
stage (M). Feeding was composed of Artemia nauplii and microalgae in all treatments.
Rotifer was also introduced as food from T1 to T5, except for TR, where microparticulate
commercial feed was provided as food. Rotifer was then supplied in treatments T1-Z1,
T2 –Z2, T3-Z3, T4-Z4 and T5-Z5, and subsequently excluded. The low survival with
reduced number of megalopae observed when rotifer was replaced with the commercial
feed, shows that this is not a viable alternative. The exclusion of rotifer can be performed
after switching from Z1 to Z2, maintaining the supply of Artemia nauplii and microalgae,
without impact on growth, survival and stress resistance, ensuring megalopae with
quality for restoking and thereby reducing handling and the costs involved in the
production.
Key words: Ucides cordatus; larval rearing; feed; quality.
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi vericar os efeitos da exclusão de rotífero e sua substituição
por ração no desenvolvimento, crescimento e sobrevivência de larvas do caranguejo-
uçá (Ucides cordatus). As larvas foram cultivadas individualmente e submetidas a seis
tratamentos (T1 a T5 e TR), com 50 réplicas, de zoea (Z1 a Z5) até o estágio de megalopa
(M). A alimentação foi composta por náuplios de artêmia e microalgas em todos os
tratamentos. O rotífero foi introduzido também como alimento de T1 a T5, exceto em TR,
em que a ração comercial microparticulada foi administrada como alimento. O rotífero
foi então fornecido nos tratamentos T1-Z1, T2-Z2, T3-Z3, T4-Z4 e T5-Z5 e posteriormente
excluído. A baixa sobrevivência com reduzido número de megalopas, observada em TR,
aponta que a substituição de rotífero por ração não é uma alternativa viável. A exclusão
do rotífero pode ser realizada após a mudança para Z2, mantendo o fornecimento
de náuplios de artêmia e microalgas, sem impactar no crescimento, sobrevivência e
resistência ao estresse, assegurando megalopas com qualidade para repovoamentos e
reduzindo, consequentemente, o manejo e custos envolvidos na produção.
Palavras-chave: Ucides cordatus; larvicultura; alimentação; qualidade.
SOUZA et al.
B. Inst. Pesca, São Paulo, 43(2): 185 - 193, 2017
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INTRODUÇÃO
O caranguejo-uçá, Ucides cordatus (Linnaeus,
1763), habita manguezais da Flórida (EUA) até
Santa Catarina (BR) (MELO, 1996). Tem grande
porte e hábito semiterrestre e participa de processos
de ciclagem de nutrientes e da cadeia tróca de
manguezais (CHRISTOFOLETTI et al., 2013).
Também é considerado um importante recurso
pesqueiro por ter alto valor econômico e social e gerar
alimento e empregos diretos e indiretos em diversas
comunidades (CASTILHO-WESTPHAL et al., 2008;
CHRISTOFOLETTI et al., 2013; GUERRA et al., 2013).
Entretanto, a degradação das florestas de
manguezal, a pesca predatória e a doença do
caranguejo letárgico têm reduzido os estoques e
alterado a estrutura populacional (CASTILHO-
WESTPHAL et al., 2008; VICENTE et al., 2012;
GUERRA et al., 2013). Este fato, além de levar o
governo brasileiro a promover a reclassicação do
caranguejo U. cordatus como espécie sobre-explotada,
demonstrou a necessidade do desenvolvimento
de políticas e técnicas de manejo populacional
(JANKOWSKY et al., 2006; GOES et al., 2010) e de
ações para recuperação dos estoques naturais com
pesquisas em produção de larvas e formas jovens
em laboratório (ABRUNHOSA et al., 2002; SILVA
et al., 2012).
De acordo com SOUNDARAPANDIAN et al.
(2013), informações sobre a nutrição larval são
importantes para o estabelecimento de tecnologia de
produção de formas jovens bem-sucedida, na qual a
qualidade, ecácia e disponibilidade do alimento vivo
são importantes fatores que regulam a sobrevivência,
crescimento e duração do desenvolvimento larval.
Devido a esta importância, diferentes organismos
têm sido utilizados no cultivo larval de U. cordatus
por vários autores (RODRIGUES e HEBLING, 1989;
ABRUNHOSA et al., 2002; DIELE e SIMITH, 2006;
SOUZA et al., 2006; VENTURA et al., 2008; SILVA et
al., 2012; COTTENS et al.; 2014), os quais reportaram
a importância do fornecimento de alimento desde o
primeiro estágio de zoea, para o qual microalgas ou
náuplios de Artemia sp. podem não ser adequados, e
que os melhores resultados foram obtidos utilizando
diferentes combinações destes dois itens alimentares
em conjunto com rotíferos (Brachionus sp.) de maneira
simultânea ou alternada.
Entretanto, a provisão de vários itens como
alimento vivo com diferentes características físicas
e nutricionais pode trazer diculdades no cultivo
e programação de laboratórios (AL AIDAROOS,
2013). Desta forma, a diminuição ou eliminação
do fornecimento dos rotíferos pode reduzir a
necessidade de mão de obra, equipamentos, espaço
físico, riscos e custos na produção de formas jovens
de caranguejos (SUPRAYUDI et al., 2002; RUSCOE et
al. 2004; BAYLON et al., 2004; KOGANE et al., 2007;
BAYLON, 2009; FALEIRO e NARCISO, 2009).
O objetivo deste trabalho foi vericar o efeito
da exclusão de rotíferos do protocolo alimentar em
cada estágio larval e de sua substituição por ração,
durante a larvicultura do caranguejo-uçá, sobre a
sobrevivência, tempo de desenvolvimento e tamanho
das larvas.
MATERIAL E MÉTODOS
Fêmeas ovígeras de U. cordatus (66,3 ± 6,31 mm
largura e 128,9 ± 9,77 g de peso úmido, n = 10)
foram coletadas no manguezal dos rios Piraquê-açu
e Piraquê-mirim, Espírito Santo, Brasil (19° 56’ S,
40° 56’ W) e transportadas até a Base Oceanográca
(Universidade Federal do Espírito Santo), onde
foram banhadas com água doce esterilizada (UV) e
posteriormente transferidas para tanques de 500 L.
Cada tanque foi abastecido com aproximadamente 50
L de água marinha ltrada (5 µm), esterilizada (UV),
com salinidade 25 g L
-1
, obtida através da adição
de água deionizada, e mantidos na temperatura de
25±1ºC em sala climatizada. Substratos, possibilitando
aos animais permanecerem emersos ou entocados,
foram inseridos nos tanques e folhas senescentes de
Rhizophorae mangle, dadas como alimento.
Após liberadas pelas fêmeas, as larvas foram
transferidas para recipientes de 20 L e selecionadas
por fototaxia. Larvas ativas e pigmentadas (n=300)
foram coletadas com auxílio de pipetas e transferidas
individualmente para as unidades experimentais
(UE) até atingirem o estágio de megalopa. Cada UE
recebeu 50 mL de água marinha ltrada e esterilizada
(UV) com salinidade de 33 g L
-1
, temperatura de
25±1ºC em sala climatizada, sem aeração e sob
fotoperíodo de 12:12 h (claro:escuro) mantido por
lâmpadas uorescentes (300 Lux).
O desenho experimental foi constituído por
seis tratamentos com 50 repetições. Em todos os
tratamentos, a larva foi alimentada com náuplios
de Artemia franciscana (390-423 μm de comprimento,
3 ind mL
-1
) e microalgas (Chaetoceros muelleri, 7-9
μm de diâmetro, Thalassiosira weissogii, 8-15 μm
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Importância do rotífero como alimento...
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de diâmetro, e Nannochloropsis oculata, 1-4 μm de
diâmetro, na ordem de 3x10
3
cel mL
-1
) ao longo de
todo o desenvolvimento.
O diferencial, em termos de tratamento, foi a
coalimentação com rotífero (Brachionus rotundiformis,
100-210 μm de comprimento, 15 ind mL
-1
), realizada
até zoea 1 no tratamento 1 (T1), zoea 2 (T2), zoea 3
(T3), zoea 4 (T4) e zoea 5 (T5), com concomitante
aumento do fornecimento de A. franciscana (6 ind
mL
-1
) após a exclusão do rotífero. O tratamento com
substituição do rotífero recebeu ração comercial
microparticulada para camarão (TR) (20-50 μm, 0,001
g L
-1
: 48% de proteína, 13% de lipídeo, 2,5% de bra,
13% de minerais e 8% de umidade (Figura 1).
Figura 1. Protocolo alimentar e coalimentação com rotífero (Brachionus rotundiformis), sua exclusão nos diferentes
tratamentos (T1-T5) e substituição por ração (TR).
As microalgas foram cultivadas em batelada em
meio F/2 Guillard, à temperatura de 21±1ºC e em
salinidade de 34 g L
-1
. Os rotíferos foram produzidos
em sistema estático, em salinidade de 25 g L
-1
e a
28°C,
e alimentados com N. oculata, enquanto A.
franciscana era proveniente de cistos eclodidos
diariamente (LAVENS e SORGELLOS, 1996).
A troca de água, a alimentação e a substituição
da UE usada por outra limpa, foram realizadas dia-
riamente, com a transferência individual da larva
por meio de pipeta Pasteur. Simultaneamente foi
vericada, com auxílio de microscópio estereoscó-
pico, a ocorrência de ecdise e mortalidade. A ecdise
foi armazenada em eppendorf contendo solução
de formalina: glicerina (70: 30 %, v: v) para medir
o segmento abdominal, em conjunto com os itens
alimentares, usando microscópio trinocular com
câmera acoplada e software de captura e medição
de imagens (MOTIC
).
Foi verificado o tempo de desenvolvimento
(dias), comprimento abdominal (µm) e sobrevivência
(%) para cada estágio larval (zoea) até o estágio
de megalopa. As megalopas foram submetidas ao
teste de estresse por meio da redução abrupta de
salinidade para 20 g L
-1
, simulando transferência em
repovoamentos de manguezal, e a sobrevivência foi
avaliada após 24 h.
A caracterização do perfil de ácidos graxos
dos itens alimentares foi realizada seguindo a
metodologia descrita em LEHRBACK et al. (2016)
com modicações. As amostras (25,1; 43,3 e 66,7 mg
de peso seco, para rotíferos, A. franciscana e ração,
respectivamente) foram extraídas por ultrassom (três
sessões de 15 min) e posteriormente concentradas,
metiladas e silanizadas. Os extratos lipídicos foram
diluídos em DCM (3000 µL) e alíquotas de 1 µL
injetadas em cromatógrafo gasoso (coluna DB-5 com
25 m x 25 μm i.d., 0,25 μm de espessura) acoplado
ao espectrofotômetro de massas. Colestano foi usado
como padrão interno, e os ácidos graxos foram
identicados através de padrão autêntico.
A salinidade e a temperatura foram monitoradas
diariamente (n=10) e o pH (7,9±0,07), amônia total
e oxigênio dissolvido (3,78±0,02 mg L
-1
), vericados
semanalmente (n=10) através de multiparâmetro e
fotômetro de bancada. A amônia tóxica (0,022±0,007
mg L
-1
) foi inferida utilizando os valores de amônia
total, pH e temperatura.
Os valores de sobrevivência (%), transformados
em arcsen (√x), tempo de desenvolvimento
SOUZA et al.
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larval, comprimento abdominal e qualidade
de água, transformados em log (x+1), foram
submetidos ao teste de normalidade (Shapiro-Wilk)
e homogeneidade de variância (Levene). A diferença
signicativa entre os tratamentos para sobrevivência,
tempo de desenvolvimento até megalopa e qualidade
de água foi vericada através de ANOVA (uma
via) e para o comprimento abdominal, através
de ANOVA (medidas repetidas no tempo), com
a diferença entre as médias detectadas pelo teste
de Tukey. As concentrações de ácidos graxos,
transformadas em log (x+1), foram submetidas a uma
análise de agrupamento com base em uma matriz
de similaridade de Bray-Curtis, com as possíveis
diferenças signicativas entre os itens alimentares
avaliadas pelo teste de Kruskal-Wallis (α=0,05)
(CLARKE e GORLEY, 2006).
RESULTADOS
O tempo de desenvolvimento larval até megalopa
não apresentou diferença significativa (p>0,05)
entre os tratamentos em que a larva foi alimentada
com rotíferos, demonstrando, consequentemente,
sincronia nas ecdises. O tratamento em que o rotífero
foi substituído pela ração (TR) foi signicativamente
diferente dos que receberam rotíferos (T1-T5),
resultando em maior tempo para alcançar o estágio
de megalopa (p<0,05) (Tabela 1).
Tratamento
Estágio de desenvolvimento
Zoea 1 Zoea 2 Zoea 3 Zoea 4 Zoea 5
T1
8,09 ± 1,44 11,81 ± 0,65 14,80 ± 0,42 16,15 ± 0,37 21,59 ± 0,94
T2
8,42 ± 1,16 12,19 ± 0,54 14,90 ± 0,15 16,27 ± 0,46 21,74 ± 0,90
T3
8,67 ± 0,52 12,00 ± 0,84 14,83 ± 0,39 16,28 ± 0,49 21,30 ± 0,93
T4
8,62 ± 0,52 12,53 ± 0,62 14,75 ± 0,46 16,67 ± 0,97 21,71 ± 0,96
T5
8,00 ± 1,55 11,78 ± 0,97 14,94 ± 0,23 16,42 ± 0,51 21,78 ± 1,02
TR
8,25 ± 2,31 11,83 ± 0,83 15,10 ± 0,21 16,67 ± 0,50 23,25 ± 0,50*
Valores apresentados como média ± DP. (*) representa diferença estatística entre TR e os demais tratamentos em zoea 5
(ANOVA, medidas repetidas no tempo, p<0,05).
Tabela 1. Duração do desenvolvimento larval (dias) de Ucides cordatus até a metamorfose para megalopa nos diferentes
tratamentos.
Tratamento
Estágio de desenvolvimento
Zoea 1 Zoea 2 Zoea 3 Zoea 4 Zoea 5
T1
953,9 ± 11,0 1193,6 ± 39,6 1542,0 ± 23,5 1541,2 ± 23,7 1870,2 ± 19,7
T2
978,9 ± 26,0 1195,7 ± 13,1 1497,1 ± 22,3 1533,0 ± 16,0 1866,6 ± 1,6
T3
986,3 ± 15,0 1178,3 ± 22,8 1505,1 ± 16,7 1514,5 ± 2,1 1864,2 ± 38,4
T4
986,1 ± 15,0 1176,2 ± 26,6 1509,0 ± 7,8 1522,3 ± 14,8 1861,3 ± 18,7
T5
966,0 ± 3,6 1163,9 ± 7,0 1493,2 ± 8,8 1535,8 ± 33,2 1861,3 ± 18,7
TR
978,0 ± 11,4 1125,5 ± 34,9 1483,1 ± 1,6 1501,5 ± 46,5 1815,1 ± 51,9
Valores apresentados como média ± DP. (ANOVA, medidas repetidas no tempo; p<0,05)
Tabela 2. Comprimento abdominal (µm) das larvas de Ucides cordatus submetidas aos diferentes tratamentos
(T1 – TR) durante o desenvolvimento larval (zoea 1 – zoea 5).
As curvas de sobrevivência ao longo do desenvol-
vimento larval nos diferentes tratamentos (T1 a T5 e
TR) a partir de zoea 1 (Figura 2) mostram tendência
de queda em TR. No estágio de megalopa não foram
vericadas diferenças signicativas (p>0,05) entre
as taxas de sobrevivência nal nos tratamentos em
que se utilizou rotífero como alimento (64,0±3,8% em
T1; 60,9±3,83% em T2; 58,5±4,4% em T3; 62,5±4,3%
em T4 e 59,5±3,8% em T5), que, no entanto, foram
signicativamente superiores (p<0,05) à registrada
no tratamento com ração (TR) (10,5 ± 3,0 %) (valores
apresentados como média ± DP).
Com relação ao comprimento abdominal
das larvas submetidas aos diferentes protocolos
alimentares (Tabela 2), não se vericou diferença
signicativa (p>0,05) entre os tratamentos. Não foi
observada mortalidade das megalopas submetidas
ao teste de estresse salino.
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Importância do rotífero como alimento...
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Figura 2. Sobrevivência (%) das larvas de Ucides cordatus ao longo do desenvolvimento e submetidas a diferentes
tratamentos com exclusão do rotífero (Brachionus rotundiformis) (T1 - T5) e com a substituição deste organismo
por ração (TR).
Ácidos graxos
Concentração (µg g
-1
) Dissimilaridade (Contribuição - %)
Ração Rotífero Artêmia Ração Rotífero e Artêmia
C12 1,82 nd nd
3,62
C14 8,64 25,40 nd 6,90
C15 0,53 nd 90,97 Nd
C16:2 nd 268,63 nd 3,2
C16:1 0,51 nd 135,53 2,78
C16 63,94 2200,87 663,53 6,13
C17 3,51 204,46 458,70 2,88
C18:3 nd 1010,01 1026,07 13,86
C18:2 16,12 2051,75 220,06 5,31
C18:1 0,83 nd 2624,47 12,24
C18 9,16 2350,92 895,58 8,5
C20 1,56 550,13 nd 4,58
C22 0,96 144,01 nd Nd
C23 0,59 nd nd Nd
C24 0,97 nd nd Nd
C26:1 2,23 nd nd 4,01
C26 3,22 nd nd 4,81
C28 2,83 nd nd 4,51
C30 112,53 nd nd 3,66
Total 229,95 8806,18 6114,91 3,66
nd=não detectado (Kruskal-Wallis; p>0,05)
Os parâmetros de qualidade de água não apre-
sentaram diferença signicativa entre os tratamentos
(p>0,05). Não houve diferença signicativa entre as
concentrações de ácidos graxos nos diferentes itens
alimentares (p>0,05).
Devido ao tamanho das amostras, foi necessária
a junção das réplicas para a caracterização do perl
de ácidos graxos (Tabela 3). A matriz de similarida-
de demonstrou a existência de 2 grupos distintos,
sendo um formado pela ração e o outro, por rotífero
e artêmia, cuja dissimilaridade foi de 30%. Entre os
compostos, foi possível observar a contribuição dos
ácidos graxos insaturados (12,28%) para a dissimi-
laridade entre os grupos.
Tabela 3. Valores da concentração de ácidos graxos (µg g
-1
) da ração microencapsulada, rotífero (Brachionus rotundiformis),
artêmia (A. franciscana) e da dissimilaridade (%) entre a ração e o alimento vivo (rotífero e artêmia).
SOUZA et al.
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190
DISCUSSÃO
Na provisão de um alimento vivo adequado ao
sistema de cultivo, além de levar em consideração a
necessidade de ser facilmente capturado, digerido
e assimilado pelos organismos cultivados, deve-se
acompanhar as possíveis modicações ontogenéticas
das presas e larvas (RUSCOE et al., 2004; AL
AIDAROOS, 2013). Ao longo do desenvolvimento
larval de U. cordatus, as estruturas do sistema
sensorial envolvidas na seleção de alimento por
tamanho, mecanoreceptivo, crescem e indicam que
o tamanho preferencial da presa também aumenta
(RODRIGUES e HEBLING, 1989; ANGER, 2001).
Desta forma, partindo do pressuposto de que é
necessário fornecer alimento a zoea 1, assim como
de que o desempenho das microalgas e Artemia sp.
é baixo como alimento para os estágios de zoea 1 e
2 de U. cordatus (ABRUNHOSA et al., 2002; SOUZA
et al., 2006), a coalimentação com rotífero ou ração
supriu as necessidades das larvas, uma vez que
foram obtidas megalopas em todos os tratamentos.
Entretanto, o fornecimento de rotíferos, ao menos
em zoea 1, como observado no presente estudo,
promoveu alta taxa de sobrevivência (> 58%), fato
não observado com a ração (10%), que mostrou não
ser uma alternativa viável. As taxas de sobrevivência
observadas em T1-T5 são consideradas satisfatórias
para os padrões atuais de larvicultura da espécie
(ABRUNHOSA et al., 2002) e próximas às obtidas
para U. cordatus por SILVA et al. (2012) e COTTENS
et al. (2014).
Os resultados foram semelhantes em todos os
tratamentos nos quais rotíferos foram ministrados
como alimento. Além disso, o náuplio de A.
franciscana se mostrou presa adequada a partir de
zoea 2. Estes resultados corroboram os estudos
de BAYLON et al. (2004), BAYLON (2009) e
DAVIS et al. (2005), que também obtiveram melhor
performance das larvas com o fornecimento de
rotíferos na primeira alimentação de Scylla serrata e
S. tranquebarica, atribuindo o mau desempenho das
larvas alimentadas com náuplios de Artemia sp. à
ineciência em capturar estes organismos devido à
morfologia e funcionalidade dos apêndices utilizados
na captura de alimento.
O baixo desempenho das larvas observado no
tratamento TR pode ser atribuído à dificuldade
de capturar A. franciscana, constatada no presente
estudo pela presença de pedaços ou do exoesqueleto.
Segundo BAYLON et al. (2004), a ingestão do
conteúdo interno ou pedaços resulta em perda de
nutrientes, devido à necessidade da larva de agarrar
e manejar os grandes náuplios. Contribuíram para os
resultados do TR, a baixa eciência de captura das
microalgas e da ração em zoea 1, devido ao tamanho
ser inferior ao dos rotíferos. Como observado por
LUMASAG et al. (2007), a ausência de aeração nas
UEs diculta a manutenção da ração em movimento
na coluna d’água por um período de tempo maior.
Além da diferença no tamanho, comportamento,
como velocidade natatória e distribuição na coluna
d’água, forma e cor (ANGER, 2001; FALEIRO e
NARCISO, 2009), outro fator que interfere na captura
é a composição química do alimento (ANGER, 2001;
AL AIDAROOS, 2013), especialmente os ácidos
graxos, que induzem a seletividade, ingestão,
absorção e digestão do alimento (MORAIS et al.,
2007). A concentração dos ácidos graxos insaturados
com grande participação na dissimilaridade entre a
ração e o alimento vivo pode ter colaborado para o
pior desempenho no TR.
A ausência de ácidos graxos poli-insaturados
de cadeia longa em rotíferos e em A. franciscana
corrobora os resultados de MANN et al. (2001), sendo
devida ao fato de não ter ocorrido o enriquecimento
antes de serem fornecidos às larvas e, também, de as
microalgas utilizadas no protocolo alimentar, ricas
nestes compostos (LAVENS e SORGELLOS, 1996),
terem sido, provavelmente, ingeridas pelo alimento
vivo. Outras fontes de ácidos graxos de cadeia longa
provêm da reserva vitelínica e da capacidade de as
larvas de caranguejos converterem ácidos graxos
poli-insaturados de cadeia curta naqueles de cadeia
longa (KOGANE et al., 2007; NGHIA et al., 2007; BELL
e TOCHER, 2009).
Segundo SUPRAYUDI et al. (2002) e SUI
et al. (2007), alimento enriquecido com ácidos
graxos promove maior crescimento das larvas. A
similaridade do crescimento da larva do caranguejo-
uçá observada entre os tratamentos também foi
verificada em larvas de outros caranguejos por
HASSAN et al. (2011) e por HAMASAKI et al. (2015),
que atribuíram o fato à destinação prioritária dos
nutrientes para manutenção de atividades vitais,
ecdise e, posteriormente, para crescimento. Segundo
ANGER (2001), fatores genéticos e condições
ambientais também contribuem para a similaridade.
A resistência ao estresse salino observada nos
tratamentos indica que o protocolo alimentar
utilizado neste trabalho assegura a qualidade
das megalopas produzidas em laboratório, como
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Importância do rotífero como alimento...
191
observado também em outros trabalhos com
decápodes (ROMANO e ZENG, 2012).
CONCLUSÕES
A exclusão do rotífero do protocolo alimentar
em zoea 1 não inui na sobrevivência, crescimento
e resistência ao estresse de larvas de Ucides cordatus,
assim como reduz em aproximadamente 62% os dias
de cultivo de rotífero, se fornecido até zoea 5.
Os náuplios de artêmia não se mostraram
adequados como alimento para larvas de U.
cordatus no estágio inicial. Considerando o método
empregado, a ração para camarão utilizada em
substituição ao rotífero não se mostrou adequada ao
cultivo larval de U. cordatus.
AGRADECIMENTOS
Ao Dr. Eduardo Costa e à Drª Caroline Grilo, por
todo o auxílio nas análises químicas.
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