CHAVE DE IDENTIFICAÇÃO DOS PEIXES DE RIACHOS DA SERRA DO JAPI (APAS JUNDIAÍ-CABREÚVA/SP)*

Claudia Eiko YOSHIDA¹; Ana Paula Pozzo Rios ROLLA2; Virginia Sanches UIEDA3; Katharina Eichbaum ESTEVES4

 

RESUMO

Cerca de 70% das espécies de peixes listadas como ameaçadas no Livro Vermelho da Fauna Brasileira não apresentam registros dentro de unidades de conservação (UCs). Informações que contribuam para a identificação e com aspectos da ecologia das espécies são essenciais para a manutenção do patrimônio natural, subsidiando tanto a gestão quanto a fiscalização destas áreas. Para tanto, o objetivo do presente trabalho foi compilar informações existentes na literatura sobre a ictiofauna de riachos da UC Serra do Japi e elaborar uma chave de identificação das espécies de peixes da região. A chave foi montada a partir das características de 31 espécies da bacia do Alto Rio Paraná, incluindo espécies endêmicas de riachos de cabeceira, bem como três espécies ameaçadas de extinção no Estado de São Paulo - Characidium oiticicai, Pareiorhina cf. rudolphi e Pseudocorynopoma heterandria.

Palavras-chave: Bacia do Rio Tietê; biodiversidade; conservação; Mata Atlântica; taxonomia.

 

 

Identification Key of STREAM fishes OF THE Serra do Japi (Jundiaí-Cabreúva/SP Conservation UNITS)

 

ABSTRACT

About 70% of fish species listed as threatened by the Red List of the Brazilian Fauna show no records within conservation units (CUs). Information to assist the identification and the understanding of the ecology of the species are essential to subsidize different management practices and the appropriate monitoring of the conservation areas. Thus, the objective of this study was to compile existing information in the literature about the ichthyofauna of streams in the CU Serra do Japi and develop an identification key for the fish species. The key was developed considering the characteristics of 31 species of the Upper Paraná River Basin, including headwater endemic species, especially three endangered species of the State of São Paulo - Characidium oiticicai, Pareiorhina cf. rudolphi and Pseudocorynopoma heterandria.

Key words: Tietê River basin; biodiversity; conservation; Atlantic Forest; taxonomy.

 

 

 Artigo Científico: Recebido em 15/10/2015 – Aprovado em 20/10/2016

1 Associação Mata Ciliar, Av. Emílio Antonon, 1000, Chácara Aeroporto, CEP 13212-010 Jundiaí, SP, Brasil. E-mail: ceyoshida2005@yahoo.com.br

2 Programa de Pós-Graduação em Pesca e Aquicultura do Instituto de Pesca, Instituto de Pesca/APTA/SP. E-mail: anapaulaprr@yahoo.com.br

3 Departamento de Zoologia, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista – UNESP, Rubião Júnior, s/n, CP 510, CEP 18618-970, Botucatu, SP, Brasil. E-mail: vsuieda@ibb.unesp.br

4 Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Recursos Hídricos, Instituto de Pesca, APTA, Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Av. Francisco Matarazzo, 455, CEP: 05001-970 São Paulo, SP, Brasil. E-mail: kesteves@uol.com.br

* Bolsa de estudo: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (142300/2007-1).  

 

 

 


INTRODUÇÃO

Do total de 2.587 espécies válidas de peixes de ocorrência exclusiva em ambientes de água doce no Brasil (BUCKUP et al., 2007), 135 estão listadas no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, conforme informam ROSA e LIMA (2008). Estes mesmos autores também ressaltam que a baixa representatividade (5,2%) de espécies protegidas legalmente se deve à ausência de conhecimento taxonômico adequado e ao baixo esforço de amostragem nos diferentes ecossistemas encontrados nas áreas de proteção ambiental do país.

Mesmo considerando a criação de unidades de conservação (UCs), uma das principais estratégias para a proteção da biodiversidade, cerca de 70% das espécies de peixes consideradas como ameaçadas no Livro Vermelho não apresentam registros em UCs Federais (NASCIMENTO e CAMPO, 2011). Isto indica que os mecanismos voltados à promoção legal da conservação da natureza não estão assegurando adequadamente a proteção da ictiofauna continental.

É importante lembrar também da responsabilidade dos Estados frente à elaboração de listas de espécies ameaçadas nos respectivos territórios para assegurar a proteção das mesmas (BRASIL, 2011). Nesse sentido, o Decreto nº 60.133 (ESTADO DE SÃO PAULO, 2014) lista os vertebrados e invertebrados silvestres ameaçados de extinção no Estado de São Paulo, onde 64 espécies de peixes de água doce são consideradas ameaçadas. Das 391 espécies válidas para o Estado de São Paulo (OYAKAWA e MENEZES, 2011), verifica-se um expressivo aumento do percentual de espécies de peixes dulcícolas amparado legalmente, do nível federal de 5,2% para o estadual de 16,3%.

        Na lista dos peixes do Estado de São Paulo, OYAKAWA e MENEZES (2011) apontam que 70 a 80% das espécies são de pequeno porte e de distribuição restrita, habitando preferencialmente riachos e ambientes de cabeceiras. Estas espécies possuem baixo ou nenhum valor comercial (exceto algumas poucas espécies exploradas como ornamentais), apresentando grande dependência da vegetação ripária como fonte direta ou indireta de recursos alimentares, reprodução e abrigo. Para ROSA e LIMA (2008), a conservação de tais espécies está ligada à preservação dos corpos d´água, sendo que estratégias que vinculem a conservação da diversidade aquática com a manutenção de recursos hídricos resultariam em benefícios mútuos.

A Serra do Japi é a maior área remanescente de Mata Atlântica do interior do Estado de São Paulo, também considerada como importante fonte de abastecimento de água para as cidades de Itupeva, Salto, Indaiatuba, Cabreúva, Jundiaí e Itu. Seu território compreende principalmente as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) dos municípios de Cabreúva e Jundiaí (MORELATO, 1992; CANCELLARA, 1998).

De acordo com estudos realizados por JESUS e CAVALHEIRO (2004), YOSHIDA e GONÇALVES (2004) e VASCONCELLOS-NETTO (2012), as APAs, mesmo sendo unidades de conservação estaduais com respaldos jurídicos que asseguram a sua proteção, são em sua maioria (cerca de 90%) constituídas por propriedades particulares. Nestes locais ocorrem frequentes registros de incêndios (acidentais ou criminosos), desmatamento, caça, turismo descontrolado ou venda de áreas para o setor imobiliário. Somado a essa questão, ROLLA et al. (2012) e YOSHIDA e UIEDA (2014) chamam a atenção para o fato de que a zona de amortecimento e a reserva biológica criada nas APAs que abrangem a Serra do Japi não asseguram a conservação de trechos de microbacias onde ocorrem algumas espécies de peixes ameaçadas de extinção, como o lambari Pseudocorynopoma heterandria, o charutinho Characidium oiticicai e o cascudinho Pareiorhina cf. rudolphi.

Informações que contribuam para a identificação e com aspectos da ecologia das espécies são essenciais para a manutenção do patrimônio natural, subsidiando tanto a gestão quanto a fiscalização das áreas. Para tanto, o objetivo do presente trabalho foi compilar as informações sobre a ictiofauna de riachos da Serra do Japi existentes na literatura e elaborar uma chave de identificação das espécies de peixes da região.

 

 

MATERIAL E MÉTODOS

A Serra do Japi possui extensão total de cerca de 350 km2 e está localizada no interior do Estado de São Paulo, entre as coordenadas 46°52’36’’W e 23°11’36’’S, fazendo parte das Áreas de Proteção Ambiental (APA) dos municípios de Jundiaí (47,67% da área total), Cabreúva (41,16%) e Cajamar (0,68%) (MORELLATO, 1992) (Figura 1A). Esta área integra a Unidade de Gerenciamento Hídrico Piracicaba-Capivari-Jundiaí (PCJ), cujos rios são afluentes do Médio Tietê.

A rede hídrica dendrítica da Serra é formada por grande quantidade de riachos de águas claras, com trechos encachoeirados, trechos de rápidos e poções distribuídos ao longo de toda a sua extensão. O presente trabalho compila os dados de estudos publicados por ROLLA et al. (2009, 2012) e YOSHIDA e UIEDA (2014), que realizaram coletas de peixes nos anos de 2005 a 2007 nas APAs de Jundiaí e Cabreúva. Os riachos pesquisados estão localizados nas microbacias dos ribeirões Ermida, Caguaçu, Caxambu, Guapeva (município de Jundiaí) e Guaxinduva (município de Cabreúva) (Figura 1B), tendo sido as coletas realizadas mensalmente e/ou sazonalmente (estação de seca e estação de chuva), empregando diferentes artefatos de pesca, como peneira, rede de arrasto, puçá e pesca elétrica (Tabelas 1 e 2).

As características utilizadas na montagem da chave de identificação foram extraídas e compiladas dos trabalhos publicados por: TRAVASSOS (1967), BRITSKI, (1972), BUCKUP (1992), SILVA e KAEFER (2003), CHAMON et al. (2005), OYAKAWA et al. (2006), BRITSKI et al. (2007), GRAÇA e PAVANELLI (2007), LUCINDA (2008), ROLLA et al. (2012), MARCENIUK et al. (2011), ROXO et al. (2012b).


 

Tabela 1. Localização dos pontos de coleta de peixes dos riachos da Serra do Japi realizada no período de 2005 a 2007.

Ponto de coleta

Coordenadas Geográficas

Microbacia

APA

Fazenda da corda

23°17'05"S-47°00'29"W

Guaxinduva

Cabreúva

Churras

23°17'04"S-47°01'33"W

Guaxinduva

Cabreúva

DAE

23°13'39”S-46°58’07"W

Ermida

Jundiaí

Paraíso

23°14'36"S-46°57’07"W

Ermida

Jundiaí

Trial

23°13'46"S-46°58'01"W

Ermida

Jundiaí

Santa Marta

23°17'03"S-46°56'23"W

Caguaçu

Jundiaí

Dog

23°18'28"S-46°56'29"W

Caguaçu

Jundiaí

Antônio Lopes Pardo

23°18'27"S-46°56'29"W

Caguaçu

Jundiaí

Córrego São Jerônimo

23o17'01"S-46o56'21"W

Caguaçu

Jundiaí

Afluente Córrego São Jerônimo 2

23o17'24"S-46o56'52"W

Caguaçu

Jundiaí

Afluente Córrego São Jerônimo 3

23o15'39"S-46o55'47"W

Caguaçu

Jundiaí

Córrego do Paiol Velho

23o16'51"S-46o53'42"W

Caguaçu

Jundiaí

Ribeirão Caguaçu 5

23o18'50"S-46o56'53"W

Caguaçu

Jundiaí

Ribeirão Caguaçu 6

23o18'35"S-46o56'39"W

Caguaçu

Jundiaí

Ribeirão Jundiuvira 7

23o19'32"S-46o57'44"W

Caguaçu

Cabreúva

Córrego Pedreira 1

23o14'44"S-46o53'15"W

Guapeva

Jundiaí

Córrego Pedreira 2

23o15'08"S-46o53'52"W

Guapeva

Jundiaí

Córrego Pedreira 3

23o15'11"S-46o54'28"W

Guapeva

Jundiaí

Córrego Guaxinduva 1

23o17'37"S-47o00'13"W

Guaxinduva

Cabreúva

Córrego Guaxinduva 2

23o17'15"S-46o59'10"W

Guaxinduva

Cabreúva

Córrego Guaxinduva 3

23o17'02"S-47o01'29"W

Guaxinduva

Cabreúva

Córrego Guaxinduva 4

23o16'18"S-47o02'35"W

Guaxinduva

Cabreúva

Fazenda Ermida

23o12'16"S-46o58'53"W

Ermida

Jundiaí

Tabela 2. Caracterização dos pontos e metodologia de amostragem de peixes dos riachos da Serra do Japi, realizada no período de 2005 a 2007, utilizando diferentes artefatos de pesca. 

Ponto de coleta

Ordem

L (m)

P (cm)

Coleta

Extensão

(m)

Artefato  de Pesca

Fazenda da corda

5a

4,44

17

M

100

Pn, A, Pu

Churras

5a

4,72

24

M

100

Pn, A, Pu

DAE

1a

1,3

7

S/C

100

Pn, A, Pu

Paraiso

2a

1,6

17

S/C

100

Pn, A, Pu

Trial

4a

3,6

25

S/C

100

Pn, A, Pu

Santa Marta

1a

3,4

19

S

100

Pn, A, Pu

Dog

2a

4,2

29

S/C

100

Pn, A, Pu

Antônio Lopes Pardo

5a

4,6

30

S/C

100

Pn, A, Pu

Córrego São Jerônimo

4a

3,23

29

C/S

50

PE

Afluente Córrego São Jerônimo 2

4a

1,76

17

C/S

50

PE

Afluente Córrego São Jerônimo 3

4a

1,35

33

C/S

50

PE

Córrego do Paiol Velho

3a

3,06

25

C/S

50

PE

Ribeirão Caguaçu 5

5a

4,39

49

C/S

50

PE

Ribeirão Caguaçu 6

5a

4,95

37

C/S

50

PE

Ribeirão Jundiuvira 7

5a

7,93

5

C/S

50

PE

Córrego Pedreira 1

4a

2,89

26

C/S

50

PE

Córrego Pedreira 2

4a

2,89

39

C/S

50

PE

Córrego Pedreira 3

4a

3,4

31

C/S

50

PE

Córrego Guaxinduva 1

4a

2,79

16

C/S

50

PE

Córrego Guaxinduva 2

5a

3,12

42

C/S

50

PE

Córrego Guaxinduva 3

5a

5,5

31

C/S

50

PE

Córrego Guaxinduva 4

5a

3,73

69

C/S

50

PE

Fazenda Ermida

4a

2,14

54

C/S

50

PE

Os dados de largura (L) e profundidade (P) referem-se aos valores médios. Coletas: Mensal (M), Seca (S), Chuva (C). Artefatos de pesca: peneira (Pn), rede de arrasto (A), puçá (Pu) e pesca elétrica (PE).

 

 

Figura 1: A: Localização da Serra do Japi no Estado de São Paulo (SP). B: Localização das microbacias estudadas dentro da área tombada da Serra Japi nos municípios de Cabreúva e Jundiaí (linha lilás) e limites da zona de amortecimento (linha laranja) e reserva biológica (linha vermelha). Fonte: Plano de manejo da Reserva Biológica Municipal da Serra do Japi - mapa da hidrografia principal da Serra do Japi, sem escala.


 


RESULTADOS

Vinte e nove espécies de peixes foram identificadas nos riachos da Serra do Japi. Deste total, as ordens Siluriformes e Characiformes foram as mais representativas, sendo identificadas, na primeira, quatro famílias e dez espécies e, na segunda, três famílias e onze espécies. Perciformes e Cyprinodontiformes apresentaram-se com uma família e três espécies cada, e Synbranchiformes e Gymnotiformes, com uma família e uma espécie cada uma (Tabela 3).


 

Tabela 3. Lista de espécies encontradas nos riachos da Serra do Japi no período de 2005 a 2007:

Classificação Taxonômica

Nome Popular

SYNBRANCHIFORMES

Synbranchidae

Synbranchus marmoratus (Bloch, 1795)

 

 

Muçum

GYMNOTIFORMES

Gymnotidae

Gymnotus sylvius (Albert e Fernandes-Matioli, 1999)

 

 

Tuvira

SILURIFORMES

Trichomycteridae

Trichomycterus iheringi (Eigenmann, 1917)

Heptapteridae

Cetopsorhamdia iheringi (Schubart e Gomes, 1959)

Imparfinis piperatus (Eigenmann e Norris 1900)

Rhamdia quelen (Quoy e Gaimard, 1824)

Callichthyidae

Callichthys callichthys (Linnaeus, 1758)

Corydoras aeneus (Gill, 1858)

Loricariidae

Hisonotus depressicauda (Miranda Ribeiro, 1919)

Pareiorhina cf. rudolphi (Miranda Ribeiro, 1911)

Neoplecostomus paranensis (Langeani, 1990)

Hypostomus ancistroides (Ihering, 1911)

 

 

Cambeva

 

Bagrinho

Bagrinho

Jundiá

 

Tamboatá

Tamboatazinho

 

Cascudinho

Cascudinho

Cascudinho

Cascudo

PERCIFORMES

Cichlidae

Geophagus brasiliensis (Quoy e Gaimard, 1824)

Coptodon rendalli (Boulenger, 1897)

Oreochromis niloticus (Linnaeus, 1758)

 

 

Cará

Tilápia

Tilápia-do-nilo

CHARACIFORMES

Crenuchidae

Characidium gomesi (Travassos, 1944)

Characidium oiticicai (Travassos, 1967)

Erythrinidae

Hoplias malabaricus (Bloch, 1794)

Characidae

Pseudocorynopoma heterandria (Eigenmann, 1914)

Hyphessobrycon bifasciatus (Ellis, 1911)

Oligosarcus paranensis (Menezes e Géry, 1983)

Piabina anhembi (Silva e Kaefer, 2003)

Astyanax altiparanae (Garutti e Britski, 2000)

Astyanax bockmanni (Vari e Castro, 2007)

Astyanax paranae (Eigenmann, 1914)

Astyanax sp.

 

 

Charutinho

Charutinho

 

Traíra

 

Lambari

Lambari

Saicanga

Lambari

Lambari

Lambari

Lambari

Lambari

CYPRINODONTIFORMES

Poeciliidae

Poecilia reticulata (Peters, 1859)

Phalloceros harpagos (Lucinda, 2008)

Phalloceros reisi (Lucinda, 2008)

 

 

Lebiste

Guaru

Guaru

Chave de identificação dos peixes de riachos da Serra do Japi

1a. Uma única abertura branquial pequena, localizada na região ventral da cabeça; nadadeiras muito reduzidas ou ausentes nos adultos; corpo serpentiforme ...............................................................................  ............................... SYNBRANCHIFORMES (Synbranchidae, Synbranchus marmoratus, Figura 2A)

1b. Uma abertura branquial, localizada posteriormente em cada lado da cabeça; nadadeiras presentes; corpo não serpentiforme ...........................................................................................................................................................2

2a. Nadadeiras dorsal, pélvica e caudal ausentes; nadadeira anal muito longa, com mais de 100 raios ............................................................ GYMNOTIFORMES (Gymnotidae, Gymnotus sylvius, Figura 2B)

2b. Nadadeiras dorsal, pélvica e caudal presentes; nadadeira anal curta, com menos de 50 raios ............................................................................................................................................................................................3

3a. Corpo nu ou coberto com placas ósseas, sem escamas ......................................  SILURIFORMES (6)

3b. Corpo coberto com escamas ...................................................................................................................................4

4a. Linha lateral dividida em dois ramos, um ântero-superior e outro póstero-inferior, que se inicia logo abaixo do final do ramo ântero-superior; nadadeiras dorsal, pélvica e anal com raios anteriores transformados em espinhos ...................................................................... PERCIFORMES, Cichlidae (15)

4b. Linha lateral com um único ramo na região mediana do corpo, geralmente contínua, desde o opérculo até o final do pedúnculo caudal, podendo estar ausente ou interrompida; raios anteriores das nadadeiras dorsal, pélvica e anal moles, não transformados em espinhos.................................................................................5

5a. Pré-maxilar não protrátil; nadadeira adiposa normalmente presente; nadadeira anal dos machos não transformada em órgão copulador ................................................................ CHARACIFORMES (17)

5b. Pré-maxilar protrátil; nadadeira adiposa ausente; nadadeira anal dos machos transformada em órgão copulador (gonopódio) ............................................ CYPRINODONTIFORMES, Poeciliidae (27)

6a. Corpo totalmente nu; sem placas ósseas ...............................................................................................................7

6b. Corpo parcial ou totalmente coberto com placas ósseas ...................................................................................8

7a. Opérculo e interopérculo providos de espinhos curvos; nadadeira dorsal posterior à nadadeira pélvica e no meio do corpo; barbilhões nasais geralmente presentes ............. Trichomycteridae, Trichomycterus inheringi (Figura 2C e 2D)

7b. Opérculo e interopérculo sem espinhos; três pares de barbilhões presentes, um maxilar e dois mentais; aberturas branquiais amplas ...........................................................................................................Heptapteridae (9)

8a. Duas séries de placas altas de cada lado do corpo; boca subinferior ........................................................ ............................................................................................................................................................Callichthyidae (11)

8b. Várias séries longitudinais de placas na porção anterior do corpo; boca inferior, lábios desenvolvidos em forma de ventosa .................................................................................................................................Loricariidae (12)

9a. Corpo castanho escuro; nadadeiras castanhas; faixa escura transversal no final do pedúnculo caudal; nadadeira adiposa contida 8,1 a 8,4 vezes no comprimento padrão ................................................................................................................................Cetopsorhamdia iheringi (Figura 2E)

9b. Corpo claro, com pigmentos escuros dispersos .................................................................................................10

10a. Faixas transversais escuras sobre o dorso; uma listra escura inconspícua ao longo da linha lateral; nadadeira adiposa contida 4,6 a 4,8 vezes no comprimento padrão ..................Imparfinis piperatus (Figura 2F)

10b. Corpo sem faixas, apresentando pigmentos escurecidos dispersos; nadadeiras escurecidas; nadadeira adiposa contida 2,3 a 2,7 vezes no comprimento padrão ............................................Rhamdia quelen (Figura 1G)

11a. Focinho deprimido; corpo alongado, com altura contida 4,5 a 5 vezes no comprimento padrão; corpo escuro com pintas escuras nas nadadeiras ......................................................Callichthys callichthys (Figura 2H)

11b. Focinho comprimido; corpo alto, com altura contida 2 a 2,5 vezes no comprimento padrão; região lateral e ventral do corpo amarelada; mancha negra estendendo-se desde o opérculo até a base de pedúnculo caudal, mais larga na região anterior .........................................................Corydoras aeneus (Figura 2I)

12a. Ponte escapular exposta parcial ou totalmente (não coberta por pele); margem anterior e lateral do focinho coberta com cerca de cinco placas relativamente grandes, providas de espinhos ................................................................................................................................Hisonotus depressicauda (Figura 3A)

12b. Ponte escapular não exposta ventralmente, coberta com pele ou placas; margem lateral do focinho revestida por pequenas placas dérmicas ...................................................................................................................13

13a. Área dorsal do pedúnculo caudal levemente côncava e coberta por uma série pareada de placas ósseas; nadadeira adiposa ausente .........................................................................Pareiorhina cf. rudolphi (Figura 3B)

13b. Área dorsal do pedúnculo caudal arredondado; nadadeira adiposa ausente ou presente ..........................................................................................................................................................................................14

14a. Nadadeira adiposa ausente ou pouco desenvolvida; uma grande área no abdome mais ou menos retangular coberta com placas ósseas com odontódeos pequenos; dentário com 8 a 15 dentes; série pré-dorsal com 5 a 8 e base da dorsal com 7 placas .......................................Neoplecostomus paranensis (Figura 3C)

14b. Nadadeira adiposa presente; superfície abdominal total ou parcialmente coberta por pequenas placas ósseas; dentário com 23 a 35 dentes; série pré-dorsal com 3 e base da dorsal com 8 ou 9 placas ................................................................................................................................Hypostomus ancistroides (Figura 3D)

15a. Corpo esverdeado iridescente, com uma grande mancha escura ovalada no flanco do corpo, às vezes com faixas longitudinais azuladas; nadadeiras amarelo-avermelhadas com pequenas manchas claras; linha lateral, superior, com 17 a 19 escamas .................................................................Geophagus brasiliensis (Figura 3E)

15b. Corpo claro, com faixas transversais escuras, sem mancha no flanco; nadadeiras claras; linha lateral, superior, com 20 a 23 escamas ....................................................................................................................................16

16a. Dentário com uma ou duas séries de dentes; corpo com poucos pigmentos escurecidos dispersos; nadadeira caudal sem listras escuras ..........................................................................Coptodon rendalli (Figura 3F)

16b. Dentário com três ou mais séries de dentes; nadadeira caudal com pintas escuras unidas entre si, formando listras transversais ................................................................................Oreochromis niloticus (Figura 3G)

17a. Dentes presentes no maxilar ...............................................................................................................................18

17b. Dentes ausentes no maxilar .....................................................................................................Crenuchidae (19)

18a. Corpo roliço e alongado; nadadeira adiposa ausente ....Erythrinidae, Hoplias malabaricus..... (Figura 3H)

18b. Corpo comprimido lateralmente; nadadeira adiposa presente .........................................Characidae (20)

19a. Bandas escuras nas nadadeiras caudal, anal e pélvicas; ausência de escamas entre as nadadeiras peitorais .........................................................................................................................Characidium gomesi (Figura 3I)

19b. Nadadeiras caudal, anal e pélvicas hialinas; presença de pequenas e finas escamas entre as nadadeiras peitorais .......................................................................................................................Characidium oiticicai (Figura 3J)

20a. Região ventral do corpo, desde a cabeça até o início da nadadeira pélvica profundamente quilhada .....................................................................................................................Pseudocorynopoma heterandria (Figura 4A)

20b. Região ventral do corpo, desde a cabeça até o início da nadadeira pélvica sem quilha........... .................21

21a. Corpo com duas máculas umerais e manchas pequenas e negras em forma de “V” deitado na altura da linha lateral .............................................................................................Hyphessobrycon bifasciatus...........(Figura 4B)

21b. Corpo com uma única mácula umeral e sem manhas pequenas em forma de “V”....................................22

22a. Focinho alongado, dentes caniniformes no pré-maxilar, maxilar e dentário; maxilar grande (sua extremidade posterior ultrapassando a margem anterior da órbita) e inteiramente com dentes ...................................................................................................................................Oligosarcus paranensis (Figura 4C)

22b. Focinho mais curto, dentes cônicos ou tricuspidados no pré-maxilar, maxilar e dentário; maxilar com dentes somente na metade anterior e mais curto (sua extremidade posterior não alcançando a margem anterior da órbita) .........................................................................................................................................................23

23a. Quatro dentes na série interna do pré-maxilar ......................................................iabina anhembi (Figura 4D)

23b. Cinco dentes na série interna do pré-maxilar ................................................................................24 (Astyanax)

24a. Mancha umeral escura, longitudinalmente ovalada e com limites bem definidos; maxilar sem dentes; uma mancha mais alongada horizontalmente na região do pedúnculo caudal; nadadeiras amareladas quando em vida ........................................................................................................Astyanax altiparanae (Figura 4E)

24b. Mancha umeral escura transversalmente alongada e com limites difusos; maxilar com um ou mais dentes ..............................................................................................................................................................................25

25a. Altura do corpo contida 2,4 a 2,7 vezes no comprimento padrão...............Astyanax bockmanni (Figura 4E)

25b. Altura do corpo contida 2,9 a 3,6 vezes no comprimento padrão ...............................................................26

26a. Faixa longitudinal escura sobre a linha lateral, desde a mancha umeral até os raios medianos da nadadeira caudal; as nadadeiras são avermelhadas em vida ..............................Astyanax paranae (Figura 4G)

26b. Faixa longitudinal escura mais marcada na região posterior do corpo, alcançando o final dos raios medianos da nadadeira caudal; as nadadeiras são hialinas .......................................Astyanax sp. (Figura 4H)

27a. Macho com várias manchas e faixas irregulares, escuras e/ou coloridas no corpo; nadadeiras com manchas escuras e coloridas; nadadeira caudal com prolongamento dos raios no lobo superior ............................................................................................................................................Poecilia reticulata (Figura 5A)

27b. Machos e fêmeas com corpo amarelo-pálido; presença de mancha escura alongada transversalmente na lateral do corpo, abaixo da nadadeira dorsal; escamas orladas com pigmentos escuros que, em conjunto, conferem um aspecto reticulado ao corpo; nadadeiras amareladas ......................................................................30

38a. Papila urogenital da fêmea reta ao longo de uma linha mediana ventral localizada entre o ânus e a base do primeiro raio da nadadeira anal ........................................................................Phalloceros harpagos (Figura 5B)

38b. Papila urogenital da fêmea curvada para a direita; margem da abertura anal em contato com o primeiro raio da nadadeira anal ou bem próximo a ele .............................................Phalloceros reisi (Figura 5C)

 

 

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Figura 2. Espécies de peixes coletadas nos riachos da Serra do Japi (APA Jundiaí/Cabreúva). A- Synbranchus marmoratus, Comprimento Total (CT): 176 mm; B- Gymnotus carapo, CT: 103 mm; C- Trichomycterus  iheringi, CT: 63 mm; D- Trichomycterus iheringi, CT: 39 mm; E- Cetopsorhamdia iheringi, CT: 48 mm; F- Imparfinis piperatus, CT: 78 mm; G- Rhamdia quelen, CT: 243 mm; H- Callichthys callichthys, CT: 46 mm; I- Corydoras aeneus, CT: 52 mm.

 

 

 

C

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