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APTA Adamantina leva tecnologias na produção de café e maracujá à Agrishow

Duas pesquisas realizadas no polo regional da APTA (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), em Adamantina, com café e maracujá, são destaques no estande que o órgão levou à Agrishow 2018, que começou nesta segunda-feira (30) e segue até a próxima sexta-feira (4), em Ribeirão Preto. É uma das três maiores feiras de tecnologia agrícola do mundo e a maior e mais importante na América Latina.
Na área cafeeira, a pesquisa é realizada em Adamantina desde 2008 pela APTA local em parceria com o Centro de Café do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e apoio da empresa Treviolo Café, que financiou o projeto. Participam também cinco propriedades de agricultura familiar na região. A pesquisa apresenta o café robusta para produção de cafés espresso, cápsulas e outras bebidas à base de café, desmistificando conceito sobre a variedade e essas aplicações pela indústria de blends.
Na área da fruticultura, a APTA Adamantina leva à Agrishowa pesquisa que desenvolveu uma técnica de enxertia de maracujá que ajuda a prevenir a morte prematura, doença que pode causar até 100% de perda das plantas e inviabilizar a produção em áreas contaminadas.
Sobre as duas iniciativas, SIGA MAIS publica conteúdo a partir de informações disponibilizadas pela área de comunicação da APTA em seu site oficial.

APTA Adamantina seleciona clones de café robusta para cultivo em São Paulo

A fama de que o café robusta tem pouca qualidade está sendo deixada para trás. Hoje, cafés dessa espécie de boa qualidade têm sido procurados pela indústria para a produção de blends, usados principalmente na indústria de cafés espresso, cápsulas e outras bebidas à base de café.
As pesquisas que validam o café robusta para esse mercado, realizadas na região Adamantina, são levadas à Agrishow. Durante o evento, a Agência leva plantas de café robusta e máquinas de café, que servem blends de robusta e arábica, para desmistificar a fama de má qualidade da espécie.
Segundo o pesquisador do Polo Regional de Adamantina da APTA, Fernando Takayuki Nakayama, a Agência, em conjunto com o Centro de Café do Instituto Agronômico (IAC-APTA), desenvolve há 10 anos pesquisas para selecionar clones de cafés robusta adaptados às condições paulistas. A ideia é incentivar o cultivo de alta qualidade para atender a demanda das indústrias de torrefação. “Atualmente, os maiores produtores desse tipo de café são Espirito Santo e Rondônia. Porém, grande parte da produção desses Estados vem para São Paulo para ser processada pelas indústrias ou para ser exportada. Diante desse cenário, por que não produzir robusta em terras paulistas?”, questiona o pesquisador.
O pesquisador Fernando Takayuki Nakayama explica, de maneira sintética, a trajetória da pesquisa. “Em 2008, trouxemos os melhores materiais de robusta cultivados no Espírito Santo para São Paulo. Selecionamos seis clones e fizemos o cruzamento com a IAC 2258, desenvolvido pelo Instituto Agronômico. Esperamos disponibilizar para o setor um novo clone em breve”, afirma.
O trabalho tem sido realizado em conjunto com cinco agricultores familiares do Oeste Paulista, uma região com temperaturas médias de 23ºC e altitude de 400 metros, condições ideias para o cultivo do robusta. “O café arábica não vai bem nessa região, pois deve ser cultivado em altitudes mais elevadas, pois esta espécie se originou em altitudes entre 1500 e 2000 metros, além de temperaturas mais amenas. O robusta traz uma nova opção de renda para o pequeno agricultor da região de Adamantina. Faz parte do projeto também a empresa Treviolo Café, que financiou as pesquisas”, explica Nakayama.

Qualidade elevada

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a demanda das empresas de torrefação por grãos robustas cresceu nos últimos anos devido ao aumento nas percentagens de blends. Em 2016, a proporção era de 10% a 15% de robusta, hoje chega a 35% 40% com tendência de aumento no Brasil. O cenário também se repete em outros países, como Inglaterra e China que triplicou o consumo nos últimos seis anos.
“O arábica sempre foi visto como um café de alta qualidade e o robusta de baixa, usado apenas para a produção de café solúvel. Atualmente, essa situação tem mudado. As grandes empresas de torrefação, que produzem café de qualidade, têm feito blends de robusta e arábica. Em 2010, por exemplo, a Nespresso lançou o Kazaar, um café considerado intenso e denso e produzido com mais de 70% de robusta. Isso foi um marco para o setor, pois mostrou que o robusta pode ter boa qualidade”, afirma o pesquisador da APTA.
Nakayama explica que o café robusta tem como característica intensidade de sabor e cremosidade, por isso, tem sido tão procurado pela indústria de capsulas, já que além dos blends com arábica, também pode ser usado para os chamados “café 3 em 1”, como os cappuccinos.
Com a demanda aquecida, o preço pago aos produtores também cresceu, principalmente para os cafés produzidos em São Paulo. “Os produtores paulistas conseguiram vender sua produção a um valor acima da cotação geral do Espírito Santo. Isso se deve à melhor qualidade, mas também à logística. Para trazer o robusta do Espírito Santo e de Rondônia para o São Paulo, as empresas chegam a gastar até R$ 100 por saca. Com isso, elas preferem pagar mais por um produto de boa qualidade produzido em São Paulo”, explica o pesquisador.

Manejo ainda é gargalo da produção

O manejo do robusta ainda é considerado um gargalo, segundo Nakayama. As plantas vegetam mais, possuem mais folhas e brotos, necessitando de mais mão de obra, além da colheita não ser totalmente mecanizada. “Por isso, estamos focando nosso trabalho nos pequenos produtores, já que a colheita do café não coincide com a de outras culturas e a produção pode ser estocada podendo esperar o momento oportuno para a comercialização, se tornando uma ótima alternativa na diversificação produtiva da propriedade”, afirma. Novas áreas pilotos estão sendo acompanhadas em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI – EDR Dracena).

Na Agrishow, APTA ensina técnica para viabilizar produção de maracujá

Os fruticultores que visitarem a Agrishow também terão a oportunidade de aprender a técnica de enxertia de maracujá, que ajuda a prevenir a morte prematura, doença que pode causar até 100% de perda das plantas e inviabilizar a produção em áreas contaminadas. Os treinamentos serão realizados na Vitrine Tecnológica para Pequenas Propriedades, no estande da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
A tecnologia desenvolvida no Polo Regional da APTA, em Adamantina, consiste na utilização de espécies tolerantes à morte prematura como porta-enxerto, já que todas as variedades de maracujá azedo existentes são suscetíveis à doença. As pesquisas mostram que a melhor espécie para uso no porta-enxerto é o Passiflora gibertii, conhecido como maracujá-de-veado, e que o método de enxertia mais eficiente é o de garfagem do topo em fenda cheia, com pegamento de até 90%. A técnica pode ser realizada quando as plantas apresentam idade de 40 dias, aproximadamente, e deve ser feita na altura de cinco a 10 cm da região do colo da planta.
Segundo o pesquisador da APTA, José Carlos Cavichioli, a técnica é recomendada para locais com ocorrência do fungo. “Em áreas com o histórico da doença, a produção de enxertado é maior, por não existir morte das plantas. Em condições normais, ou seja, em áreas sem histórico da doença, a produção de maracujazeiro enxertado é menor do que a sem enxerto”, explica.
A técnica proposta pela APTA é usada por 50 produtores da Alta Paulista, região responsável por 25% da produção de maracujazeiro do Estado de São Paulo e que produz cerca de cinco mil toneladas da fruta por ano. Antes de usar a tecnologia os produtores ficavam expostos aos prejuízos provocados pelo fungo, podendo chegar até em 80%, dependendo do nível de infecção. “A tecnologia pode ser adotada em outras regiões do Estado e do País. A cultura do maracujá é interessante para a agricultura familiar, por oferecer o mais rápido retorno econômico entre as frutíferas, e uma receita distribuída pela maior parte do ano”, afirma Cavichioli.
A morte prematura não tem tratamento. Quando afetada pelo patógeno, certamente a planta morrerá. A aplicação de defensivos agrícolas não tem sido uma solução eficiente. De acordo com o pesquisador, a melhor opção para os agricultores é o controle preventivo.
A doença é atribuída à associação de fungos de solo, nematoides e bactérias, que atacam o sistema radicular e que se manifestam e dizimam rapidamente, causando a morte das plantas em plena fase produtiva. “O uso de enxertia tem sido a solução para o plantio em áreas com histórico da doença, locais em que as produções são inviabilizadas por conta dos fungos patógenos presentes no solo”, diz.

Enxertia

Apesar de ser bastante utilizada na citricultura e viticultura, a enxertia ainda é pouco empregada nos plantios de maracujá. A explicação, segundo Cavichioli, é que os produtores ainda não possuem informações suficientes para utilizar a técnica.
“Os porta-enxertos são espécies tolerantes aos patógenos habitantes do solo. Eles servem de base para a instalação de cultivares com características comerciais desejáveis, que está na copa da planta e responde pela produção. Queremos ensinar essa técnica ao pequeno produtor de maracujá, que pode reduzir os danos causados pela morte prematura”, explica Cavichioli.

APTA

A APTA, estrutura da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, tem a missão de coordenar e gerenciar as atividades de ciência e tecnologia voltadas para o agronegócio. Sua estrutura compreende o Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca (IP), Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e Instituto de Zootecnia (IZ), além dos 14 Polos Regionais distribuídos estrategicamente no Estado de São Paulo – entre os quais em Adamantina – e do Departamento de Gestão Estratégica (DGE).

 

Fonte: Siga Mais, Mai/2018 (http://www.sigamais.com)

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