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Instituto de Pesca participa de pesquisa internacional que mapeou a pesca em manguezais no mundo

Através do Programa de Monitoramento da Atividade Pesqueira, Instituto coleta dados que embasam gestão pesqueira e ações de preservação do ecossistema em São Paulo (Foto: Instituo de Pesca/SAS)

*Da Redação

O Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, participou de um dos mais abrangentes estudos já realizados sobre a ocorrência e intensidade das atividades pesqueiras em áreas de manguezais pelo mundo. A pesquisa buscou mapear em quais países o habitat é explorado para pesca e captura de organismos aquáticos, qual a quantidade de pescadores envolvidos na atividade e quais são os fatores que a influenciam em cada região. Fora do continente asiático, o Brasil se mostrou o país com maior número de pescadores artesanais atuando em área de mangue.

Como explica o pesquisador do IP,  Jocemar Tomasino Mendonça, responsável pela participação do Instituto no trabalho, a pesca em manguezais é uma atividade diversa, que tem elementos próprios em cada região onde ocorre.

 - Existem atividades que ocorrem dentro dos manguezais, tais como extrativismo de ostras e caranguejo-uçá, e existe a pesca que está relacionada com produtos que dependem deste habitat, como a pesca com redes de emalhe para diversas espécies de peixes; a pesca com gerival (aparelho artesanal de captura) para camarão-estuarino; e a pesca com arrasto para captura de iriko ou manjuba -  conta Mendonça.

Uma característica essencial da pesca em manguezais, explana o pesquisador, é ser desenvolvida exclusivamente por pescadores artesanais.

No trabalho, Mendonça se juntou a especialistas no tema de todos os continentes num esforço para identificar quais são os principais fatores que levam as populações costeiras a se envolverem em atividades de pesca em manguezais.

- Junto à Profª Marília Cunha-Lignon, da UNESP de Registro, unimos nossos dados e conhecimento sobre os manguezais da nossa região, bem como a atividade pesqueira associada a estes ecossistemas, e trouxemos contribuições sobre os impactos das atividades sobre eles -  contextualiza o pesquisador do IP, que atua no Núcleo de Pesquisa do Litoral Sul, em Cananéia.

Na realidade local, o especialista diz que os fatores que mais influenciam na intensidade da pesca de manguezal são a alta parcela não-urbana da população (pescadores artesanais) e a existência de outros recursos pesqueiros compartilhados, como a pesca de camarão-estuarino.

- Na região existe a pesca do camarão com gerival dentro do estuário, mas o adulto é capturado na plataforma continental por embarcações artesanais e industriais, tanto paulistas, como de outras unidades da federação -  detalha.

Juntando os dados de SP e de outras partes do Brasil aos encontrados em diferentes cenários mundo a fora, a pesquisa listou os 16 principais fatores de influência sobre a pesca em manguezais, agrupados em 6 categorias: fatores populacionais, culturais, de mercado, individuais, relativos à gestão das áreas e relacionados à capturabilidade das espécies. A partir das informações reunidas, foram aplicados métodos demográficos, estatísticos e geoespaciais para estimar o número total de pescadores artesanais que atuam (parcial ou exclusivamente) nos manguezais. O artigo, publicado na edição de dezembro de 2020 da revista Estuarine, Coastal and Shelf Science, chegou à conclusão de que existem no mundo cerca de 4,1 milhões de pescadores artesanais que dedicam ao menos parte de seu tempo de trabalho a atividades de pesca em manguezais. Dos mais de 100 países onde a atividade ocorre, o maior número de pescadores está localizado na Ásia, com Indonésia e Índia ocupando as primeiras posições. O Brasil aparece em quinto lugar, com cerca de 278 mil pescadores artesanais atuando em áreas de mangue.

Pesquisas do IP aliam economia à conservação dos manguezais

Uma das instituições pioneiras a fazer levantamentos sobre atividades pesqueiras no Brasil, o IP produz conhecimento valioso para a compreensão da dinâmica da pesca em São Paulo, o que é essencial tanto do ponto de vista da manutenção da atividade quanto para a proteção dos ecossistemas aquáticos.

- O Instituto de Pesca, através do Programa de Monitoramento da Atividade Pesqueira, coleta informações de forma ininterrupta sobre toda a atividade pesqueira marinha e estuarina do estado há mais de 60 anos - enfatiza Mendonça, pontuando que, nos últimos 12 anos, estas coletas têm se intensificado.

- De posse destas informações podemos avaliar todas as atividades pesqueiras nos diferentes ambientes, no que tange à dinâmica da pesca e dos pescadores – diz o pesquisador.

Conforme explica, essas informações subsidiam a gestão pesqueira e trazem mais conhecimento para a tomada de decisões sobre a sustentabilidade da atividade e dos recursos pesqueiros no estado de São Paulo, contribuindo para o entendimento do cenário em todo o país e mesmo internacionalmente, como no trabalho recém-publicado.

Considerados verdadeiros berçários da vida marinha e de importância econômica vital para as populações caiçaras do litoral paulista, os manguezais são foco de grande parte das pesquisas desenvolvidas pelo IP em Cananéia.

- São desenvolvidos estudos nos mais diferentes temas, servindo desde fornecimento para trabalhos de graduação e pós-graduação, até subsidiar pesquisas sobre espécies ou conjuntos de espécies, como a manjuba-de-iguape, robalo-peva, bagre-branco, camarão-sete-barbas, iriko, parati, ostra, caranguejo-uçá, tainha, entre outros -  enumera o pesquisador do Instituto.

Segundo Mendonça, há, também, análises de pescarias específicas, como a pesca com rede de emalhe, arrasto de camarão, gerival, extrativismo de moluscos etc, que têm impacto direto sobre a manutenção dos manguezais.

- No litoral sul há o impacto de alguns destes aparelhos sobre os recursos pesqueiros, que, se não forem bem gerenciados, podem trazer redução na população dos organismos aquáticos -  menciona o pesquisador, que acredita que algumas espécies já estejam sentindo efeitos da sobrepesca na região.

- Atualmente, precisa ser melhor gerenciada a pesca de parati e robalo-peva, que tem mostrado sinais de declínio, por exemplo -  conclui.

*Do IP-APTA, com edição da Cerrado Comunicação

Fonte: Piscishow e Avisuleite, 5 fevereiro 2021 (https://piscishoweavisuleite.com.br/Publicacao.aspx?id=192708

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