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Pescadores do YCI contribuem com a ciência na marcação dos Marlins-Azuis

Se no passado a pesca esportiva era criticada por matar os grandes peixes oceânicos, atualmente a conscientização das novas gerações de pescadores faz com que todos os torneios sérios proíbam que os peixes fisgados sejam mortos.

Aproveitar as saídas dos pescadores e o encontro com os peixes-de-bico para incentivar a ciência e proteger as espécies é um dos principais objetivos dos pesquisadores. A TBF (The Billfish Foundation), no Brasil representada pelo prof. Alberto Amorim, é uma entidade de pesquisa norte-americana dedicada à conservação dessas espécies no mundo. No Brasil, o Instituto de Pesca da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é o responsável pelo projeto de marcação de peixes-de-bico, com apoio da TBF.

No Brasil, o Yacht Club de Ilhabela foi entidade pioneira na parceria com a Bilfish na chamada “marcação” de peixes, ou seja a inserção no peixe de um “tag” numerado que corresponde a uma ficha de identificação com os dados de dimensão, peso estimado e local de marcação, permitindo aos pesquisadores, caso este marlim  seja novamente encontrado  em outro ponto do oceano, comparar os dados da marcação e da nova avistagem.

As marcações tradicionais em marlins-azuis se iniciaram aqui no Yacht Club de Ilhabela na temporada de 1992/1993.  E as primeiras marcações eletrônicas foram realizadas em Canavieiras, BA em 2006.

A marca Pop up Satellite Archival Tag (PSAT) foi desenvolvida no início dos anos 90 com o intuito inicial de mapear o deslocamento de grandes peixes pelágicos. As marcas programadas para se soltar automaticamente do peixe num período pré-determinado boiam até a superfície da água e transmitem dados arquivados de localização, profundidade, temperatura da água entre outros, ao satélite ARGOS (Advanced Reasearch and Global Observation Satelite).

Pescadores do YCI implantarão  a “tag” eletrônica.

O XXIX Torneio Marque e Solte de Pesca Oceânica do YCI acontecerá  entre novembro e dezembro de 2018 e com a ajuda dos pescadores do torneio, pretende-se aplicar 5  MiniPets (tags eletrônicas) que foram adquiridas da Wildlife Computers om recursos da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).  Estas tags eletrônicas estão programadas para se desprender e transmitir informações para o satéliteapós doze meses da liberação do peixe. 

Este projeto conta com a cooperação norte-americana de um especialistas no assunto,  o experiente professor David Krestetter, da Nova Southeastern University-NSU e também  tem o apoio Comandante da embarcação South Atlantic, Eduardo Wanick, mestreem oceanografia pela NSU.

Ele será coordenado pelo professor Alberto Amorim, do Intitito de Pesca.

Como estratégia inicial cinco embarcações irão sair cada uma com uma das MiniPets.

Estudos já mostram os hábitos da especie

Informações obtidas através de uma série de marcações de marlins-azuis no Atlântico mostram sua permanência mais de 80% do tempo em águas com temperatura entre 26º e 31º C. Apenas em mergulhos de curta duração ele chega a ficar em águas de cerca de 15º C, considerada a temperatura mínima tolerada por essa espécie.

Com base na marcação eletrônica realizadas em Canavieiras, BA, observou-se que um marlim-azul que apresenta olhos grandes demonstrou hábitos diurnos, pois precisa da visão para se alimentar, e regularmente mergulha a grandes profundidades.

Nos períodos noturnos, fica inativo e nos diurnos permanece a maior parte do tempo em camadas mistas de temperatura até profundidades de 100 metros. Breves mergulhos são registrados a profundidades de 200 ou até mais de 400 metros, onde o ambiente é mais frio e com pouca luminosidade. O marlim-azul pode penetrar nessas temperaturas se as condições exigirem, mas apenas por períodos curtos. Nestas incursões, ele poderá estar buscando alimento ou fugindo de um predador.

Esse peixe tem grande importância ecológica por estar no topo da cadeia alimentar e realizar extensas migrações. A mais longa foi registrada através da recaptura de um marlim-azul com uma marca convencional que se deslocou do Atlântico ao Índico.

Um marlim-azul marcado e liberado em Delaware (EUA), no oeste do Atlântico Norte e recapturado em frente da Ilha Maurícios, no Oceano Índico, confirmou a distância percorrida de 8 mil milhas em 3 anos, entre o ponto de liberação e o de recaptura.

Como também não há mais barreira de passagem do Indico para o Pacífico, a descoberta demonstrou que  que essa espécie pode percorrer os três oceanos.

O estoque de marlim-azul se encontra sobre-explorado, com poucas informações sobre sua distribuição e biologia em relação à área e época de ocorrência no Atlântico Sul. A espécie com baixo valor econômico é capturada incidentalmente no espinhel da pesca comercial, e alto valor econômico é agregado na pesca esportiva na modalidade pesque e solte.

Como o Brasil detém o recorde mundial esportivo (636 kg registrado pela International Game Fish Association–IGFA), houve interesse na implantação do Projeto Marlim, com o apoio do YCI.

É importante observar que, embora seja difícil ter um controle efetivo,  a espécie tem sua comercialização proibida em todo o território nacional (Instrução Normativa nº 12, de 2005, SEAP).

Com o apoio dos pescadores do XXIX Torneio Marque e Solte de Pesca Oceânicado YCI pretende-se conhecer a migração do marlim-azul que sofre a pesca em diferentes áreas por diversos países, objetivando sua conservação.

Alberto Amorim (Instituto de Pesca)

Eduardo Pimenta (Universidade Veiga de Almeida)

Christina Amorim (Jornal Martim-Pescador)

 

Fonte: Yatch Club de Ilhabela, Out/2018 (http://www.yci.com.br)

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