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Barriga de aluguel é usada pelo Instituto de Pesca para acelerar o processo de produção do salmão do Atlântico

Pesquisa inédita busca produzir o salmão do Atlântico em até dois anos – enquanto naturalmente são necessários quatro anos para a reprodução do peixe. A celeridade do processo está na utilização da truta arco-íris como barriga de aluguel para produção do salmão do Atlântico. O trabalho está sendo desenvolvido na Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Campos do Jordão do Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Os primeiros testes para a reprodução do peixe por meio da técnica de barriga de aluguel se iniciaram em 2015. A ideia, segundo Ricardo Hattori, pesquisador que integra a equipe da IP, é que com a aceleração do processo de reprodução do salmão seja possível realizar o melhoramento genético da espécie na metade do tempo que seria necessário, levando em conta métodos tradicionais.

“A linhagem de salmão que cultivamos no Brasil do tipo landlocked ainda não foi bem domesticada, ou seja, não passou por um processo de melhoramento genético, como ocorreu com o salmão cultivado no Chile ou na Noruega. Com isso, o crescimento e a maturação dos peixes são muito demorados, o que limita seu cultivo em grande escala no país”, explica Hattori, pesquisador que participa do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Segundo Hattori, para realizar o melhoramento genético das espécies são necessárias várias gerações. Considerando um processo de melhoramento de três gerações, como o salmão leva cerca de quatro anos para atingir a idade reprodutiva, este processo levaria cerca de no mínimo 12 anos. Com a barriga de aluguel, é possível encurtar esse período pela metade, ou seja, em seis anos.

“A truta arco-íris, antes de passar pelo melhoramento genético levava cerca de cinco anos para se reproduzir. Atualmente, leva dois anos. A seleção genética permitirá produzir salmões em menos tempo e que se adaptem melhor às condições de cultivo no Brasil. Atualmente, o salmão produzido em cativeiro tem um período de maturação muito longo, pois não está adaptado à ração e às condições de cultivo”, afirma.

O trabalho consiste em transplantar em trutas triploides estéreis células germinativas indiferenciadas de salmão. Após o transplante, as células se multiplicam e se diferenciam dando origem aos ovócitos, nas fêmeas, e aos espermatozoides, nos machos. No período reprodutivo, os ovócitos e os espermatozoides serão extrusados e utilizados para fertilização in vitro no laboratório da unidade de pesquisa do IP.

Os primeiros resultados do projeto demonstraram que 90% das trutas submetidas aos transplantes sobreviveram e a colonização das células foi detectada em mais de 80% dos receptores. Já em adultos, a produção de sêmen de salmão foi detectada com sucesso em machos e a de ovócitos em fêmeas de trutas triploides. “Isso comprova a eficácia dos transplantes para a geração de gametas de salmão. Os resultados também representam o primeiro caso de geração de gametas, tanto de machos como de fêmeas de salmão do Atlântico em truta arco-íris”, diz Hattori.

Na próxima etapa da pesquisa, esta tecnologia será aplicada utilizando células germinativas de salmões com melhores taxas de crescimento para iniciar um programa de melhoramento genético.

O salmão e a truta são peixes de água frias, produzidos, principalmente, na Serra da Mantiqueira. O Instituto de Pesca é referência brasileira em pesquisas com a truta, peixe estudado pela Agência há mais de 50 anos. Os trabalhos de cruzamentos e seleção do IP permitiram o desenvolvimento de linhagens adaptadas às condições de cultivo no país e o desenvolvimento de produtos como a truta salmonada e o sucedâneo de caviar de truta. “Esses produtos agregaram valor à truta arco-íris. A partir do melhoramento genético do salmão, poderemos também trabalhar no desenvolvimento de novos produtos com esta espécie, futuramente”, afirma Hattori.

A produção brasileira de salmão se destina no momento apenas a fins experimentais. A maioria do salmão consumido no Brasil é importado, principalmente, do Chile. São cerca de 80 mil toneladas importadas anualmente. O peixe é utilizado, principalmente, na culinária japonesa.

Técnica permite conservação de espécies ameaçadas de extinção

O pesquisador que integra a equipe do Instituto de Pesca explica que a técnica de barriga de aluguel permite também a conservação de espécies de peixes ameaçadas de extinção, através do congelamento de células germinativas indiferenciadas desses animais. O projeto de pesquisa desenvolvido no IP prevê a utilização da técnica em outras espécies, como a pirarara ou o surubim-do-paraíba, esta última avaliada como “criticamente em perigo” pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Uma das ideias é a utilização do Jundiá como barriga de aluguel, um bagre pequeno de fácil manejo que atinge a idade reprodutiva já no primeiro ano.

 

Por Fernanda Domiciano
Assessoria de Imprensa - APTA

 

Mais informações:
Assessoria de Comunicação
Secretaria de Agricultura e Abastecimento
Instituto de Pesca
(11) 3871-7549 / (11) 3871-7550
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