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Estudo do Instituto de Pesca analisa biologia da corvina em reservatório paulista

Um estudo elaborado pelo mestrando Anderson Arimura Matsumoto, do Instituto de Pesca (IP-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, analisou a biologia pesqueira da corvina (Plagioscion squamosissimus) no Reservatório de Três Irmãos, no interior de São Paulo. O trabalho foi publicado recentemente no Boletim do Instituto de Pesca e avaliou dados da pesca e características da população da espécie entre 2015 e 2018.

A pesquisa foi desenvolvida sob a orientação, em nível de mestrado, dos pesquisadores científicos do IP Gianmarco Silva David e Paula Maria Gênova de Castro Campanha. O objetivo foi ampliar o conhecimento sobre a dinâmica dessa espécie não nativa, oriunda da bacia amazônica, visando reunir informações que possam contribuir para minimizar os impactos da espécie sobre as populações de peixes nativos da bacia do alto rio Paraná, abundantes e alvo da pesca artesanal no reservatório.

Corvina tem participação importante na pesca artesanal

O monitoramento contou com a participação de 93 pescadores artesanais. Durante o período analisado, a corvina representou 33,5% da captura total monitorada, com desembarque médio anual de 53,5 toneladas. A captura por unidade de esforço (CPUE) média foi de 11,7 quilos por pescador por dia.

Além do acompanhamento da atividade pesqueira, foram realizadas campanhas trimestrais de pesca científica nas zonas lótica, de transição e lêntica do reservatório. Ao todo, foram analisados 1.460 exemplares de corvina, permitindo avaliar aspectos como crescimento, reprodução, tamanho de primeira maturação e seletividade das redes de emalhe.


Equipe em acompanhamento de atividade pesqueira


Os resultados mostraram que a espécie apresenta crescimento isométrico, ou seja, aumento proporcional entre comprimento e peso. A reprodução ocorreu durante todo o ano, com pico na primavera, e o tamanho de primeira maturação foi estimado em 15,9 centímetros de comprimento total.

Resultados podem apoiar estratégias de manejo

A pesquisa também avaliou a relação entre a captura da corvina e as condições ambientais do reservatório. Os maiores rendimentos foram registrados em março e estiveram associados a temperaturas mais elevadas e a ambientes lênticos, caracterizados por águas com menor movimentação.

Também foi analisada a seletividade das redes de emalhe para identificar os tamanhos de peixe capturados de acordo com as diferentes malhas utilizadas na atividade pesqueira. Esse resultado contribui para compreender a relação entre as características dos equipamentos e o tamanho dos exemplares retirados do ambiente.

A partir dos resultados, o estudo recomenda o uso de malhas com tamanho igual ou superior a oito centímetros para favorecer o rendimento comercial da pesca. O trabalho também aponta que a redução do tempo de permanência das redes na água, com a retirada das tralhas a cada cinco horas, pode contribuir para diminuir a captura não intencional de espécies nativas e melhorar a qualidade do pescado.

De acordo com Anderson, “considerando que a corvina de água doce é uma espécie carnívora introduzida e topo de cadeia, é essencial compreender melhor a estrutura e a dinâmica de sua população, levando em conta também sua importância para a segurança alimentar e a viabilidade econômica da pesca artesanal no reservatório de Três Irmãos, baixo Tietê. Vale aqui discutir se as ações de manejo devem visar ao controle ou à erradicação dessa espécie, dada a sua abundância, seus hábitos alimentares piscívoros e sua condição de espécie não nativa”.

O pesquisador ainda acrescenta que “estratégias de gestão integrada devem adotar uma abordagem pragmática, equilibrando os objetivos de conservação com a realidade socioeconômica das comunidades pesqueiras locais”.

Assessoria de imprensa IP
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