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INSTITUTO DE PESCA REALIZA CENSO ESTRUTURAL DA PESCA NO RIO TIETÊ

Entre 2010 e 2014, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Recursos Hídricos do Instituto de Pesca, desenvolveu a pesquisa ‘Censo Estrutural da Pesca na Bacia do Alto Paraná: foco no Rio Tietê’, sob a coordenação da pesquisadora científica Paula Maria Gênova de Castro Campanha. O rio Tietê é o principal corpo d’água que tem seu curso integralmente no estado de São Paulo.

Vale considerar que os recursos pesqueiros de uso comum são recursos naturais finitos e, como tais, necessitam de ordenamento e monitoramento para que sejam sustentáveis ao longo dos anos e sirvam de alimento, renda e lazer às populações que deles se utilizam. Assim, de acordo com Paula Gênova, é fundamental o conhecimento dessa importante atividade produtiva praticada no referido corpo d’água, através de um levantamento da pesca: Quem pesca? Como se pesca? O que se pesca? O quanto se pesca? Qual a intensidade da pesca e suas variações ao longo do tempo? As respostas a essas questões, aliadas aos estudos da ecologia e dinâmica das populações de peixes, aos aspectos sociais e econômicos da atividade e ao acompanhamento sistemático das pescarias na região, podem subsidiar propostas de manejo para os recursos pesqueiros e o setor produtivo.

Com base nessa preocupação, o projeto ‘Censo da Pesca no Tietê’ foi reestruturado. Na primeira fase da pesquisa desenvolveu-se o subprojeto: ‘Levantamento da pesca e da ictiofauna ao longo do rio Tietê’ e, na segunda fase, outro subprojeto, ‘Pesca de isca viva na bacia do médio Tietê: represas de Barra Bonita e Ibitinga’. Os dados obtidos dessas pesquisas resultaram em informações técnico-científicas de interesse direto ao setor produtivo pesqueiro, de ordenamento e fiscalização.

 

Levantamento da pesca e da ictiofauna ao longo da bacia do rio Tietê

Nos últimos 30 anos, diversas espécies de peixes foram capturadas pela pesca artesanal profissional e de subsistência ao longo da bacia do Tietê. Na maioria das vezes, o pescador emprega redes de espera de diferentes tamanhos de malha, dependendo da espécie-alvo. Além das redes de emalhar, a pesca artesanal também utiliza anzóis, espinhéis, covos, tarrafas, batida e peneiras. Foram identificados 58 locais ou pontos de desembarque, estimando-se uma população de 935 pescadores regularmente atuantes, distribuídos em 41 municípios de forma dispersa ao longo da bacia do rio Tietê.

Os pescadores monitorados nesse levantamento, dependendo da espécie objeto de suas capturas, empregam uma ou várias artes-de-pesca com diferentes malhagens e diferentes ‘estratégias de pesca’, definidas como a combinação de apetrechos, com determinado tamanho de malha, tipo de ambiente explorado e modo de utilização.

Segundo Paula Gênova, ao longo dos anos, notou-se alteração substancial na fauna ictiíca presente nesse corpo d’água, antes constituída de espécies migradoras de vida longa e de alto valor no mercado consumidor, quais sejam: pintados, dourados, jaús, piaparas e curimbatás, sendo que, atualmente, devido às alterações antrópicas ocorridas no rio Tietê nas últimas décadas (barramentos, poluição agro-industrial e doméstica, desflorestamento de áreas ribeirinhas, introdução de espécies não nativas - exóticas e alóctones à bacia), observam-se mudanças nas estratégias de pesca dos pescadores, refletindo diretamente em seu rendimento e produtividade pesqueira.

Finalmente, com base no minucioso estudo, a recomendação fundamental é o monitoramento sistemático da produção pesqueira continental desembarcada, com a participação efetiva do pescador, incluindo a pesca amadora/esportiva, visivelmente crescente nesse corpo de água e, portanto, merecendo controle e manejo adequados.

“É recomendável ainda estender o levantamento através do censo da pesca para os demais rios da bacia hidrográfica do Paraná (rios Paraná, Paranapanema, Grande e Mogi Gauçu) e Atlântico Sudeste (rio Paraíba do Sul, Ribeira de Iguape e rios costeiros), que banham o território paulista, para, num passo adiante, definirem-se pontos estratégicos de monitoramento pesqueiro continental em águas paulistas”, orienta a especialista.

 

 

•          Por Antonio Carlos Simões

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