A busca por sistemas de produção aquícola mais sustentáveis, eficientes e seguros tem impulsionado o uso de aditivos funcionais na nutrição de organismos aquáticos. Entre eles, termos como probióticos, prebióticos, simbióticos, pós-bióticos e fitobióticos vêm ganhando espaço, mas ainda geram dúvidas quanto às suas diferenças e aplicações. O Instituto de Pesca (IP-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é referência em pesquisas nessa área e atua diretamente no desenvolvimento de soluções inovadoras para a aquicultura brasileira.
Os probióticos são microrganismos vivos ou viáveis que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do animal. Na aquicultura, eles auxiliam no equilíbrio da microbiota intestinal, no fortalecimento do sistema imunológico, na melhoria do desempenho zootécnico e na redução da ocorrência de doenças, contribuindo para a diminuição do uso de antibióticos nos sistemas produtivos.
Já os prebióticos são compostos não digeríveis que servem de substrato para microrganismos benéficos, estimulando seu crescimento e atividade no intestino dos peixes. Quando probióticos e prebióticos são utilizados em conjunto, formam os simbióticos, potencializando os efeitos positivos sobre a saúde e o desempenho dos animais cultivados.
Os pós-bióticos não contêm microrganismos vivos, mas sim substâncias produzidas pelos probióticos, que ajudam a fortalecer a saúde e a resposta imunológica dos peixes. Por fim, os fitobióticos são aditivos de origem vegetal, como extratos e óleos essenciais, utilizados para melhorar a digestão, equilibrar a microbiota intestinal e reforçar o sistema imune dos organismos aquáticos.

Pesquisa aplicada e inovação
O IP desenvolve pesquisas com probióticos há mais de uma década, com diversos artigos científicos publicados em periódicos nacionais e internacionais, avaliando os efeitos desses microrganismos no crescimento, na saúde e na imunidade de espécies aquícolas, especialmente a tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus), principal peixe cultivado no Brasil.
Esse trabalho resultou no desenvolvimento do Colostrum Aqua®, um probiótico específico para a produção de tilápias, criado em parceria com a empresa Biocamp, a partir da seleção criteriosa de bactérias benéficas isoladas de diferentes regiões produtoras do país. O produto foi desenvolvido com base em pesquisas conduzidas por equipes multidisciplinares do Instituto, aliando ciência, inovação e aplicação prática no campo.
A iniciativa reforça a atuação do IP na geração de conhecimento científico e no desenvolvimento de tecnologias voltadas às demandas do setor produtivo, contribuindo para uma aquicultura mais sustentável, competitiva e alinhada às exigências sanitárias e ambientais. Ao investir em pesquisas com probióticos e outros aditivos funcionais, o Instituto fortalece a cadeia produtiva do pescado e amplia o acesso dos produtores a soluções baseadas em ciência.
De acordo com o pesquisador e diretor da unidade de Aquicultura do IP, Leonardo Tachibana, e responsável pelos estudos, “é muito importante desenvolver produtos que melhorem o desempenho zootécnico e a saúde dos peixes, sem agredir a natureza”.
Por Andressa Claudino
Instituto de Pesca
O Instituto de Pesca é uma instituição de pesquisa científica e tecnológica, vinculada à Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, que tem a missão de promover soluções científicas, tecnológicas e inovadora para o desenvolvimento sustentável da cadeia de valor da Pesca e da Aquicultura.
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